4 de fevereiro de 2026 · 24 horas de AI: Anthropic sinaliza buyback a $350B+, Qwen3-Coder-Next aposta no open-source “implantável”, e a IA da AMD ainda está em modo perseguição

A disputa de IA já não é só “quem tem o melhor modelo”. Virou um jogo de capital + talento, distribuição via ecossistema (open-source), e capacidade de transformar hardware caro em receita recorrente. As três notícias de hoje são três ângulos desse novo tabuleiro.


1. Anthropic planeja um programa de recompra de ações para funcionários, com valuation de pelo menos US$ 350B

Comentário:
O valuation da Anthropic teria saltado de US$ 170B em agosto de 2025 para US$ 350B no início de 2026 — dobrando em cerca de quatro meses. Esse tipo de reprecificação só se sustenta se o mercado acreditar que há fundamentos: receita recorrente, eficiência de inferência e confiabilidade em escala.

A empresa também está bem posicionada no eixo de infraestrutura: parcerias e investimentos estratégicos com Microsoft Azure, NVIDIA H100 e Amazon AWS, além de um ARR de 2025 reportado acima de US$ 5B. Num cenário em que OpenAI, xAI e Google disputam agressivamente talentos, um buyback no mercado secundário faz duas coisas ao mesmo tempo: dá liquidez aos funcionários antigos e emite um sinal de força (e de confiança no valuation) para novos talentos e investidores.

A pergunta que fica é direta: a Anthropic “vale” mesmo isso — e esse movimento é um passo para um IPO? O teste real será taxa de crescimento, unit economics de inferência e SLA estável quando a demanda explodir.


2. Alibaba open-sourça o Qwen3-Coder-Next: 80B parâmetros totais, ~3B ativos por inferência

Comentário:
O Qwen3-Coder-Next é uma jogada clara de “deployability”: entregar capacidade de raciocínio/geração útil com custo e fricção menores, para virar um componente de produção (e não só um modelo gigante bom em demo).

Ativar apenas ~3,75% dos parâmetros e ainda assim chegar a ~70% no SWE-Bench Verified sugere que a estratégia de roteamento/ativação está bem calibrada para tarefas de engenharia. O ponto mais relevante, porém, é a combinação de licença e distribuição: uso comercial gratuito e disponibilidade no ModelScope e no Hugging Face. Para equipes que não conseguem pagar GitHub Copilot Enterprise ou Amazon CodeWhisperer, isso pode virar um substituto real, com implantação privada.

A pegadinha prática permanece: mesmo com só ~3B ativos, um modelo de 80B ainda exige algo como ~160GB de armazenamento para carregar, e o ecossistema de plugins/integrações ainda está muito atrás da experiência “nativa” do Copilot no VS Code. A adoção vai depender de quão suave é o caminho do “clone e rode” até o “uso diário em time”.


3. Resultados da AMD no 4T25: crescimento forte, mas receita de AI GPU ainda é pequena para a narrativa

Comentário:
A AMD reportou US$ 10,27B de receita (+34,1% YoY) no 4T25 e lucro líquido de US$ 1,5B. O segmento de clientes (PC) foi bem, com US$ 3,9B, e o mercado global de PCs cresceu 11% YoY. Só que, para o mercado, o “placar” principal virou IA.

A receita total de AI GPU teria ficado em ~US$ 2,39B (MI308 para a China: ~US$ 390M + outras AI GPUs: ~US$ 2,0B), menos de 23% da receita total. No mesmo período, a NVIDIA teria feito ~US$ 51,2B em data center — então, em escala, a AMD ainda está claramente no papel de perseguidora. E existe um cheiro de “muito R&D, conversão comercial ainda limitada”.

O MI308 surpreende positivamente no trimestre, mas a projeção de apenas ~US$ 100M de receita da China no 1T26 mostra que esse impulso pode não ser constante. Some-se a isso alta de memória e ajustes no ritmo de compra corporativa, e o 2026 fica menos previsível.

O ponto crítico não é “AMD tem IA?”. É “AMD consegue transformar pipeline e roadmap em adoção consistente e receita em escala em 2026?”.


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Autor: KairoHora de Criação: 2026-02-04 06:15:47
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