A disputa de IA já não é só “quem tem o melhor modelo”. Virou um jogo de capital + talento, distribuição via ecossistema (open-source), e capacidade de transformar hardware caro em receita recorrente. As três notícias de hoje são três ângulos desse novo tabuleiro.

Comentário:
O valuation da Anthropic teria saltado de US$ 170B em agosto de 2025 para US$ 350B no início de 2026 — dobrando em cerca de quatro meses. Esse tipo de reprecificação só se sustenta se o mercado acreditar que há fundamentos: receita recorrente, eficiência de inferência e confiabilidade em escala.
A empresa também está bem posicionada no eixo de infraestrutura: parcerias e investimentos estratégicos com Microsoft Azure, NVIDIA H100 e Amazon AWS, além de um ARR de 2025 reportado acima de US$ 5B. Num cenário em que OpenAI, xAI e Google disputam agressivamente talentos, um buyback no mercado secundário faz duas coisas ao mesmo tempo: dá liquidez aos funcionários antigos e emite um sinal de força (e de confiança no valuation) para novos talentos e investidores.
A pergunta que fica é direta: a Anthropic “vale” mesmo isso — e esse movimento é um passo para um IPO? O teste real será taxa de crescimento, unit economics de inferência e SLA estável quando a demanda explodir.
Comentário:
O Qwen3-Coder-Next é uma jogada clara de “deployability”: entregar capacidade de raciocínio/geração útil com custo e fricção menores, para virar um componente de produção (e não só um modelo gigante bom em demo).
Ativar apenas ~3,75% dos parâmetros e ainda assim chegar a ~70% no SWE-Bench Verified sugere que a estratégia de roteamento/ativação está bem calibrada para tarefas de engenharia. O ponto mais relevante, porém, é a combinação de licença e distribuição: uso comercial gratuito e disponibilidade no ModelScope e no Hugging Face. Para equipes que não conseguem pagar GitHub Copilot Enterprise ou Amazon CodeWhisperer, isso pode virar um substituto real, com implantação privada.
A pegadinha prática permanece: mesmo com só ~3B ativos, um modelo de 80B ainda exige algo como ~160GB de armazenamento para carregar, e o ecossistema de plugins/integrações ainda está muito atrás da experiência “nativa” do Copilot no VS Code. A adoção vai depender de quão suave é o caminho do “clone e rode” até o “uso diário em time”.
Comentário:
A AMD reportou US$ 10,27B de receita (+34,1% YoY) no 4T25 e lucro líquido de US$ 1,5B. O segmento de clientes (PC) foi bem, com US$ 3,9B, e o mercado global de PCs cresceu 11% YoY. Só que, para o mercado, o “placar” principal virou IA.
A receita total de AI GPU teria ficado em ~US$ 2,39B (MI308 para a China: ~US$ 390M + outras AI GPUs: ~US$ 2,0B), menos de 23% da receita total. No mesmo período, a NVIDIA teria feito ~US$ 51,2B em data center — então, em escala, a AMD ainda está claramente no papel de perseguidora. E existe um cheiro de “muito R&D, conversão comercial ainda limitada”.
O MI308 surpreende positivamente no trimestre, mas a projeção de apenas ~US$ 100M de receita da China no 1T26 mostra que esse impulso pode não ser constante. Some-se a isso alta de memória e ajustes no ritmo de compra corporativa, e o 2026 fica menos previsível.
O ponto crítico não é “AMD tem IA?”. É “AMD consegue transformar pipeline e roadmap em adoção consistente e receita em escala em 2026?”.